Segunda-feira, Novembro 16, 2009

"- Eu sinto cheiro de... cheiro de... Patassaura!
- Cheiro de mim?"

Eu reconheço a importância de perfumes na história do mundo. Não o das flores, não o da comida. O que a gente compra num vidrinho. Muitos perfumes têm história, muitos são elementos decisivos em outras histórias, alguns colocam baleias em extinção e vários marcam as pessoas pelo cheiro.

É interessante sentir um cheiro e se lembrar de alguém ou simplesmente perceber que a pessoa se aproxima. Ou passar o resto do dia se lembrando que a pessoa te cumprimentou. E é muito mais fácil fazer isso através de um perfume. Hoje em dia não dá pra sentir o cheiro da pessoa em condições normais, mas ele existe. O problema é que o mesmo cheiro pode trazer à mente duas ou mais pessoas, o que tira a personalidade da coisa. Quando as pessoas mergulham no vidro não dão a possibilidade de o perfume se combinar a elas e criar o terceiro cheiro. Blahblah.

Eu não gosto de perfumes. Acho que uso umas três vezes ao ano, em ocasiões específicas, quando lembro. Pra mim, perfume tira a leveza do ar, invade o espaço alheio e pode desagradar. Você gostar do seu perfume não significa que eu também goste. Mas se ele se limitasse ao seu espaço pessoal, tudo bem.

Mas é claro que eu gosto de estar cheirosinha. Dilema.

Nem tanto. Eu prefiro as atualmente famosas e com diversos nomes colônias e refrescantes e desodorantes corporais. Cheiros menos invasivos, mais delicados e estranhamente mais diversificados. Não sei se não tenho nariz pra perfumes, mas pra mim, no fundo, todos acabam tendo o mesmo cheiro de cachaça florida. O legal dessas colônias é que são corporais. Corpo todo. O cheiro não fica no meu raio de cinco metros, fica por toda a minha pele, e quem for próximo o bastante vai sentir de leve. E dá uma ótima sensação nesses dias quentes. Em dias mais frios, eu prefiro os óleos de banho. Eles também têm a vantagem da suavidade pelo corpo todo e por ser óleo, parece que protege do frio. Em qualquer dia e a qualquer hora, cremes hidratantes também são muito bons. A Victoria's Secret tem uns sabores (são sabores sim) diferentes e super gostosinhos, mas não precisa pagar tanto pra ter um hidratante maravilhoso, que hidrata, amacia, perfuma e protege a pele.

Acho, inclusive, que arominhas que vão dos pés à cabeça sem nos anunciar e sem fazer o nariz de alguém arder têm participação na feminilidade, que vai desde a suavidade até o não exagero, dando uma passadinha na sensualidade, é claro.

Pros homens, um bom desodorante e estar limpinho basta, mas não se privem do perfume. Só não exagerem. Mas não custa experimentar uma colônia ou um hidratante, mesmo que seja só pra tirar a sensação de pele ressecada.

O mundo é cheio de exageros. As pessoas começam a pensar que quanto mais pagam ou quanto mais mergulham no perfume, melhor. Às vezes, a simplicidade e a humildade de um cheiro quase neutro encontram na pele o conjunto que dá o melhor e mais autêntico cheiro de você, com um toque colorido.

Terça-feira, Novembro 10, 2009

Eu nunca ouvi alguém dizer "deixe os seus sonhos de lado e trate de cuidar da sua vida", mas é o que todos sentem quando se deparam com um desses sonhadores.

Muitas propagandas por aí dizem "realize seu sonho de blabla" quando é pra viajar, trabalhar em tal lugar, aprender a dançar. Porque mexer com os sonhos de alguém, mesmo que não seja aquele sonho, já mexe com a própria pessoa. Porque os sonhos de uma pessoa são talvez a parte mais pura e livre dela.

E a parte mais pura, verdadeira e livre de alguém é a parte que menos se preocupa com a lógica e as probabilidades. Por isso que na maioria das pessoas, essa parte está moribunda ou morta. Sonhos não colocam comida na mesa e não recebem o respeito dos outros.

Mas espera aí, eu nunca falei em viver só deles. Eu sei muito bem o que é ter os pés no chão. O que muita gente não sabe é ter asas nas costas. Assim como não podemos viver apenas dos sonhos, não podemos acreditar que viver completamente sem eles seja a solução.

Certo, todo mundo tem sonhos. Alguns querem ter uma família, outros querem conhecer a Europa, eu quero ser popstar, talvez você seja a pessoa que quer simplesmente ser um grande advogado. Sonhos. Alguns parecem mais fáceis de tocar do que outros. Mas todos eles merecem a nossa atenção, todos eles merecem um pouco mais do que uma olhada com desprezo de quem diz "eu não sou capaz. Não tenho tempo nem dinheiro. Cala a boca que eu tô ocupado."

Assumir e perseguir um sonho, dos mais comuns aos mais impossíveis, é difícil. Além das barreiras que o próprio caminho até ele tem, sempre vai ter um batalhão de gente tentando te fazer desistir, das mais diversas maneiras, inclusive você. Até as pessoas próximas vão tentar, vão aconselhar. "Pegue o caminho mais fácil. Siga por aqui, o rebanho já abriu a passagem. Não quero ver você cair e sofrer."

Não há infelicidade pior do que olhar pra trás e olhar no espelho e ver sonhos abandonados. A tristeza de cair tentando não é pior que a dúvida de conhecer só o outro caminho e jamais saber o que poderia ter sido. Além do mais, quem cai, levanta e segue em frente. Quem não foi, não foi.

Tantas músicas, tantos filmes, tantas camisetas, todas as pessoas, todos, todos sempre dizendo "acredite e siga os seus sonhos". Principalmente os que realizaram, os felizes, eles enfatizam como valeu a pena arriscar. Por que que quando se trata de de fato ir atrás de um sonho as pessoas recriminam? Os seus não são os mesmos? Meus sonhos não dão lucro? Inveja da coragem que você não teve? Como alguém pode desmerecer o sonho de outra pessoa? Quem é que pode dizer do que eu sou ou não capaz? Quem é que pode saber o que é melhor pra mim?

Eu, por exemplo, não tenho medo do nada. Quem quer tudo tem que estar disposto a perder tudo. Quem quer pouco vai ter sempre o conforto duro do pouco.

Quarta-feira, Outubro 28, 2009

Por falar em faculdade, antes mesmo de saber o que era eu sabia que era o aluno quem fazia. É o aluno que faz a faculdade.

Ora. Eu tive muito trabalho nos ensinos anteriores. Eu fiz os ensinos fundamental e médio enquanto os professores também faziam o seu trabalho. O que acontece na faculdade é que a maioria dos professores mal faz ou não faz a parte deles. E por alguma razão, talvez pela tradição, isso virou aceitável e normal.

A faculdade é só um ensino direcionado, não é uma grande coisa mágica que precise de tratamento diferente. Talvez precise. E exatamente por teoricamente formar profissionais que vão de fato usar o conhecimento no mundo de alguma forma, os profissionais da mesmíssima coisa deveriam cuidar mais de perto do que desovam depois.

Eu compreendo o que querem dizer com o aluno fazer a faculdade. As informações estão todas por aí, se aprofunda quem quer, se limita quem quer. O que eu não compreendo é que, sendo assim, qual a razão do meu relógio tocar tão cedo, qual a razão de me juntar a um punhado de gente pra copiar tópicos e ter uma noção?

Qual é o verdadeiro papel do professor quando absolutamente tudo está escrito nos livros? Eu não preciso que ele me diga o sumário de um livro em uma ordem diferente. Eu não preciso nem que ele me diga que livros ler. Eu posso fazer minha própria faculdade, posso ler e estudar todo o assunto como quem lê qualquer outra coisa e posso aprender.

Eu poderia ter feito a mesma coisa com análise sintática, logaritmo, desenvolvimento sustentável, Revolução Industrial e força centrípeta. Poderia. Todos os livros explicavam tudo. Teria dado um trabalho absurdo e teria tomado um tempo importante. Numa época que provavelmente as pessoas têm mais tempo.

Faculdade é coisa de gente grande, gente que trabalha e estuda, que paga contas, que cuida dos filhos. (E gente como eu.) Era na faculdade que nós deveríamos ter apoio máximo. O mais mastigadinho possível, como dizem, pra que o tempo não seja perdido correndo atrás da matéria que o professor não soube dar inteira mas soube incluir na prova.

Eu tenho professores muito bons que conseguem transmitir todo o conteúdo, explicá-lo e tomá-lo de volta com bons resultados. Tenho outros que gastam o tempo da aula fazendo alguma coisa que até hoje não entendi. É uma mistura de atraso, enrolação, papo furado, discussão com aluno petulante, vou ali fumar um cigarro e explicações com má vontade.

Os que são bons são os que mais lembram os professores do colégio, mas não são ridículos por causa disso. As pessoas não são tão superiores na faculdade a ponto de poder negar uma aula de verdade só porque a faculdade virou um mito de que não dá tempo de explicar tudo e então se vira em casa. Não é feio ser um verdadeiro professor. Não importa se são advogados importantes, delegados ou doutrinadores. Médicos, engenheiros, ou qualquer outra coisa. Ser professor não pode ser tratado simplesmente como um bico pra ganhar um extra. Não importa que não sejamos crianças, não importa se no mundo lá fora, no mercado de trabalho, ninguém vai parar pra me explicar.

Eu levanto da minha cama pra ter aula. Se é pra ter uma idéia do que eu vou ter que encontrar e estudar sozinha depois, me deixem na cama. Melhor perder tempo uma vez só.

Quarta-feira, Outubro 21, 2009

O Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes, o Enade, é um exame obrigatório que, cedo ou tarde, todos os universitários vão fazer. Não há graduação sem ele e dele sai a comparação entre as faculdades. O objetivo é avaliar os alunos com relação ao conteúdo programático do curso e à atualização no mundo. Avaliando os alunos, avaliada é a faculdade.

Eu sou aluna de Direito da UNIP, campus Chácara Santo Antônio. A coordenadora do meu curso, que desde o início do semestre não teve cinco minutos para nos explicar uma disciplina complicada e bagunçada, interrompeu a aula no último minuto antes do intervalo para pedir que os convocados a procurassem. Ela queria dar os horários das aulas. Aulas a mais, aos sábados, de reforço das matérias e de interpretação de texto. Ela praticamente implorou para que os alunos não faltassem, para que ajudassem a faculdade a conseguir um bom resultado no exame. Ouvi dizer que essas aulas são obrigatórias, mas não sei ao certo. O professor interrompido completou dizendo que é a qualidade e a credibilidade do nosso diploma que está em jogo. É nosso dever.

Ora essa. O Enade quer avaliar o ensino normal da faculdade, não os alunos que têm aulas de interpretação de texto no fim de semana. Se a UNIP deseja tanto um bom resultado, o que faz lotando suas salas com gente que mal interpreta um texto? Se a Universidade Paulista quer tanto formar futuros advogados, juízes e respeitadores da lei, o que faz injetando informação nos poucos escolhidos e corrompendo a razão primeira da prova?

Eu não fui convocada. Assim, minha revolta pára aqui, porque sempre fui encorajada a não tomar dor alheia e não dou a mínima ao que não me afetou ainda. Se o meu nome estivesse naquela lista, eu entraria na minha segunda, e essa maior, encrenca com a faculdade. E a primeira porque simplesmente não me ajudaram depois de perderem uma prova minha com peso sobre todas as disciplinas. Isso muito me anima a ajudar a faculdade e comparecer a aulas de interpretação de texto, que me parecem mais uma ofensa.

Eu não sei como é tratado o Enade em outras universidades. Eu sei que a UNIP deveria se envergonhar de agir assim naturalmente.

Quinta-feira, Outubro 08, 2009

Aquela noite estava tão quente que a cigarra não conseguia dormir. Ela decidiu, então, preparar uma surpresa para suas amigas.
Na manhã seguinte, mais quente que a noite, o trabalho já ocupava todas as formigas, e elas conversavam.
- O que será que nossa querida amiga cigarra vai cantar hoje?
- Ah, ela sempre alegra nosso dia, não importa o que cante!
- Tem dias que só suas canções me fazem sair da cama para trabalhar!
E a cigarra já apontava ali na curva, feliz com os resquícios de conversa que ouvira e os olhos apertados pelas olheiras da noite não durmida.
- Amigas formigas! Bom dia a todas!
Ela chegou com um sorriso e um violão.
- Um violão! - disse uma formiga marrom claro. - Você nunca disse que tocava violão!
- Fazia muito tempo que não tocava. - respondeu a cigarra. - Resolvi voltar a tocar e melhorar nossos dias.
Todas as formigas ficaram muito felizes com a novidade. Ouvir o canto da cigarra já era tão bom, agora elas poderiam ouvir o doce som das cordas acompanhando a voz da amiga.
E os dias seguintes foram felizes, a música fazia o trabalho render, trabalho que era feito sem que as formigas sentissem o peso daquela rotina cansativa.
Os dias quentes foram lentamente dando espaço a dias mais frios. E cada vez mais frios. Numa manhã embaçada pela neblina gelada, a cigarra saiu sem seu violão para encontrar as amigas.
- Amigas formigas?
Não havia ninguém ali. O bater de dentes da cigarra era uma música triste. Ela foi até a casa das formigas.
- Quem bate?
- Sou eu! A cigarra! Minha casa não tem paredes, não tem teto e não há comida em lugar algum! Preciso de ajuda!
A resposta veio sem que abrissem a porta.
- Sentimos muito. Só tem comida no frio quem trabalha no calor.
- Mas eu trabalhei! - disse a cigarra, desesperada. - Eu passei noites compondo e ensaiando e dias cantando e tocando para vocês!
Por uma portinha apareceu um par de olhos de formiga.
- Você nos viu trabalhar até nossos corpinhos cambalearem e nunca ajudou. Você foi despreocupada com seus amigos e sua comida.
A portinha se fechou antes mesmo que a cigarra pudesse responder.
- Mas vocês... - ela falava consigo. - Vocês diziam que eu ajudava com minha música... Era o meu trabalho.
A cigarra morreu de fome e frio a poucos passos da casa das amigas formigas.
No verão seguinte, o trabalho silencioso não rendeu. A comida foi insuficiente para o inverno.

Segunda-feira, Outubro 05, 2009

Se existe alma gêmea, eu encontrei a minha.

Há vários anos, numa madrugada na internet, eu ouvi pela janela do meu quarto o que eu chamei de "não é possível que tem um passarinho cantando estranho a essa hora". E ele continuou por um tempo. Até que eu achei estranho demais e bem na hora que abri a janela pra ver, vi uma coisinha atravessando a rua pro outro lado e se escondendo num matinho ao pé da árvore do vizinho. Corri pra ver.

Era a coisa mais pequenininha, mais orelhuda, mais doentinha e mais faminta que eu já tinha visto. Peguei. Cabia na minha mão. A essa altura meu irmão já tinha vindo ver o que tava acontecendo. Trouxe a coisinha amarela e branca pra dentro. Alimentei, não lembro com o que. Acordei os meus pais com ele nas mãos e disse algo como "é o meu gato". Não tinha o que discutir comigo.

Pensamos em chamar de Pingüim, de Pedacinho, de Gomen e talvez de outras coisas. Mas foi Sumimacen que escolhemos. Sumi. Mi.

Nós tínhamos dois cachorros, mas todo mundo se adaptou bem. A coisinha frágil cresceu forte. Depois aceitou e tratou com carinho o Kero, a Tufa e a Porin. Só não gostava muito do Cabeça.

Há exatamente um ano, ele se foi.

Todas as vezes que eu sorria pra ele, todas as vezes que estávamos juntos, a minha felicidade era tão grande que os meus olhos se enchiam pela tristeza de imaginar que aquele dia pudesse chegar. Eu achava que não agüentaria. E até hoje eu não agüento. Todas as noites e quase todos os dias eu choro por ele como se fosse notícia recente.

Eu choro pelas vezes que ele ficou do outro lado da minha porta fechada, sentadinho e quietinho, esperando. Pelas cutucadinhas leves que ele me dava quando queria sair do meu quarto. Pelo olhar de criança que ele tinha quando sentava ali na curva do quintal pra ver a rua e me olhava quando eu aparecia na porta da cozinha. Por todas as vezes que ele vinha do telhado quando eu chamava. Por todas as vezes que ele vinha do telhado só por ouvir a minha voz. Por ele ter emagrecido tanto e nós termos demorado tanto pra averiguar. Por ele ter feito tantos exames sofridos. Por todas aquelas punções inúteis naquele corpinho já fraco. Eu choro por não ter ficado mais com ele naquele último dia, de medo de pensar que eu estava ali me despedindo. Eu choro todos os dias de saudade dele, saudade de poder dizer o nome dele sem que seja triste.

Eu nunca senti isso por ninguém. Talvez eu não saiba nada, talvez eu seja um monstro, talvez eu simplesmente tenha mesmo encontrado a minha melhor parte. Eu não posso medir. Não posso comparar com nada. Ninguém pode dizer o que é e o que não é amor, se é que estamos falando de amor. Ele era tudo pra mim. Era um gato. O meu gato. O meu mais sincero, mais puro e único grande amor. Eu não sei o que pode ser pior do que isso. Se perder uma das pessoas próximas for pior, eu não sobrevivo.

Duas vezes na minha vida eu quis acabar com tudo. O Sumi, que não era de muito contato físico, deitou sobre mim nas duas vezes, me olhando, me impedindo e me convencendo. Sem ele, o que me dá vontade de viver é saber que ele queria que eu ficasse. E eu não pude fazer nada pra impedir nem mesmo pra aliviar a dor e a morte dele.

Por ele eu entendi a necessidade que nós temos de acreditar que há alguma coisa depois da morte. Que existe uma possibilidade de reencontro no fim. Nunca mais vê-lo é pior que cair pra sempre num buraco escuro.

Sumi. Minha maior alegria se transformou na minha maior tristeza de repente. O meu gatinho. O meu gatãozão. Eu levantava ele do chão e ele já dobrava as pernas pra encaixar nas minhas mãos. Várias vezes eu quase perdi um dedo até arranjar aquele papel retorcido pra brincar com ele pelos vãos da cadeira, o melhor lugar pra brincar. Não era de conversa, mas nunca viveu criatura mais doce e mais carinhosa. Como será que ele veio parar aqui? O que será que aquela coisinha pequena não sofreu antes de chegar aqui?

Um gato. Único pra mim, mas tão gato quanto todos os gatos do mundo. Foi o que eu pude fazer com o que eu sentia por ele. Eu amo todos os gatos porque são como ele. Eu faço o que precisar pelo bem dos meus gatos tentando corrigir tudo que eu fiz de errado com ele. Eu espero de todo o meu coração que ele me perdoe e que esteja bem. Só o que eu peço é que me visite de vez em quando nos meus sonhos, por mais doloroso que seja acordar.

Eu sinto muito se alguém se ofende com o que eu sinto, mas talvez o meu coração seja só diferente, não ruim.

Ele tá gravado numa música, na minha pele e pra sempre no meu coração. Não tá na minha alma porque ele é a minha alma.

Há um ano eu recebi a pior notícia da minha vida. E achei que a dor pudesse diminuir com o tempo. Não diminui. Eu não sei o que seria de mim nesse ano que passou se não fossem os meus gatos, mas eles não substituem. Me salvaram, mas cada um é cada um.

Não se esqueçam do meu tesouro no plástico rosa quando eu morrer. São alguns bigodes dele que eu vi o exato momento da queda ao longo dos anos. São um pedacinho dele.

Eu não aprendi a viver sem ele. Não sei se vou, não sei se quero. Meu maior desejo vai ser pra sempre tê-lo de volta. Grande e saudável. Doce e quieto, bebendo água da borda do pote. Dividindo o travesseiro comigo de vez em quando, ou encolhido no cantinho da cama. Levemente mau humorado, mas correndo pro quintal só com o meu "Mi, vamo escovar?".

Eu tinha plena consciência da minha felicidade por estar com ele. E ele não gostava de demonstrar, mas ficava triste na minha ausência e se fazia de bravo quando eu voltava. A idéia de ficar sem ele me matava. E agora essa situação me mata. Eu sabia que aconteceria um dia, se eu não morresse cedo. Mas seria mais fácil se fosse pela idade, se ele não tivesse sofrido tanto. Se eu pudesse ao menos tê-lo poupado de tanta dor. Maldito câncer. Ele tinha pelo menos metade da vida pela frente.

Meu coração remendado bate por ele. Desde aquela madrugada até o meu último suspiro.


Quinta-feira, Outubro 01, 2009

Eles cantam de alegria pelo dia de hoje!

Feliz zero-um do um-zero!